Made Régio - A debut in our return to school

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Uma manhã na  Escola

E assim se cumpriu a tradição. Desde que iniciamos o projecto da OPTA que temos sido convidados a participar em eventos nas escolas para alunos das mais distintas àreas. Habitualmente o convite surge para falar de temas para os quais estamos directamente implicados, ou seja, o Design Thinking e a Inovação. Tudo parecia perfeito até o Pedro Rocha da Iman Cowork e o Fábio Faria da Junta de Freguesia de Vila do Conde me desafiarem para uma sessão de motivação no âmbito do projecto "Made Régio" junto dos alunos finalistas dos cursos profissionais de Bar/Restauração, Electrónica e Multimédia da Escola Secundária José Régio .

Não precisei de muito tempo para aceder prontamente ao convite, sair da zona de conforto é algo que me motiva,  só que desta vez o objectivo ia um pouco além daquilo que habitualmente faço junto dos alunos. Estes alunos dos cursos profissionais estavam na véspera de apresentarem os seus projectos de aptidão profissional (PAP) e quer o Pedro quer o Fabio queriam que a minha intervenção fosse menos dedicadada ao "pitch" dos projectos e mais focada na reflexão do conteúdo dos trabalhos...algo mais motivacional, dirigido a eles que se encontram prestes a ingressar no mercado de trabalho. 

Levei algum tempo para reflectir acerca da temática a desenvolver e sobretudo no tipo de mensagem que lhes levaria, até que me deixei levar pelas emoções e arrisquei falar-lhes de TALENTO. Talvez porque seja um dos temas que mais me apaixona hoje em dia, talvez porque em algum momento da minha vida me tenha questionado acerca do meu próprio talento, talvez por vislumbrar algum paralelismo entre o meu percurso académico e o percurso que estes alunos estão a percorrer.  Decidi então arriscar e preparar-lhes o tema de forma a que eles posteriormente pudessem enquadrar no momento que atravessam e tornar estes 45 minutos em algo que jogasse a favor deles e das apresentações dos seus PAP.

Chegado o dia, estava na Escola José Regio e prestes a enfrentar uma plateia repleta de jovens que nada sabiam acerca do tema que lhes tinha prepado...era portanto uma verdadeira prova cega, para mim e para eles. O auditório encheu-se rapidamente e a Professora Maria Alcide Aguiar e o Professor António Almeida, enquanto representantes máximos das entidades organizadoras fizeram as honras de abertura da sessão, acolhendo os alunos e apelando à importância do tema e da sessão para o futuro deles. De seguida, o Pedro Rocha passou a apresentar-me e deixou-me a plateia por minha conta. Comecei a minha apresentação colocando três questões : "Quem é que acredita que possui algum tipo de talento?" ; "Quem é que acredita que não possui nenhum tipo de talento?" ; "Conhecem alguém que possua algum talento?". Em resposta à minha última questão escutei de forma tímida "O Cristiano Ronaldo" e esta era a minha deixa para explorar toda a temática que se seguia.

"O talento não está nas actividades que desenvolvemos, mas sim em nós".

Não fiquei supreendido com o silêncio e hesitação na resposta às minhas perguntas. Sempre que somos confrontados com estas questões, de imediato pensamos em algo que somos verdadeiramente bons a fazer...em executar, e a plateia não fugiu à regra quando sorridentes se voltavam para os colegas do lado e atrás em busca de uma validação " Vá...diz...tu jogas bem!". Prontamente os esclareci que o talento não está naquilo que fazemos, mas sim na forma como essas actividades nos mudam. O talento está em NÓS!

Quando falamos em talento (neste contexto) estamos a referir-nos aquilo que nos apaixona, que flui, que não damos conta do tempo passar, que nos galvaniza e nos motiva. Esta forma de auto-conhecimento, nem sempre facilmente decifrável,  acaba por ser potenciada por competências e actividades que acabam por relevar e expor o talento indívidual. Deixei claro que a melhor forma de iniciar este caminho de auto-conhecimento é ir fazendo...muitas e diferentes coisas onde se incluem aquelas que não gostamos e para as quais percebemos que não temos talento. Afinal de contas, a vida é feita de talentos descobertos ao longo do percurso. 

A título de exemplo, e ironizando com o facto de estarmos num contexto escolar, disse-lhes que se eles gostam de estar horas sentados, tomar notas, fazer relatórios, copianços e ocasionalmente reproduzir o conhecimento que lhes é transmitido..então estavam de parabéns porque tinham descoberto o seu talento para se integrarem no sistema de ensino convencional!

"A vida é feita dos nossos talentos descobertos".

Finalizando este capítulo de auto-conhecimento e talento, passei para o slide seguinte onde lhes mostrava um pequeno esquema das 3 dimensões onde o talento está presente e nas quais (enquanto futuros candidatos no mercado de trabalho) desempenha um papel importante. Esta forma (des)construída apresentava-se sob a forma de dimensão Indivídual (EU), dimensão organizacional (Empresa) e dimensão do mercado (clientes).  Se na primeira nos dedicamos exclusivamente em decifrar aquilo que nos apaixona e nos motiva, na segunda procuramos um contexto onde podemos adquirir competências, trabalhar com o talento de outros indíviduos e desenvolver produtos e serviços. Esta dimensão organizacional, também desempenha um papel de validação do talento através da contratação e da função que nos é atribuída. Por último, surge a dimensão do mercado...aquele que não só valida como molda e potencia o nosso talento. É ele o responsável pela aceitação dos produtos e serviços desenvolvidos, os tais que vertemos o nosso talento e dos nossos colegas/empresa. São as diversas barreiras e a complexidade e dinamismo do mercado que fazem com que procuremos adquirir novas competências para materializar vários talentos ao longo do nosso percurso de vida. Em suma: Viver, fazendo..afinal a vida é feita dos nossos talentos descobertos. 

Finalizei a minha apresentação, afunilando um pouco o tema para à área da estrutura dos projectos dos alunos, e desenvolvi alguns tópicos relacionados com o Business Model Canvas, e o Mapa de Criação de Valor, na perspectiva de inovação de produtos e serviços para os clientes. Talvez estes tópicos os ajudem a realçar alguns aspectos relacionados com os seus projectos aquando da apresentação dos mesmos.

No final abri a sessão a debate e coloquei-os à vontade para colocarem questões ou falarem um pouco dos seus projectos.  Eu próprio, sendo um tema que não costumo abordar publicamente, necessitava de uma validação para perceber se tinha cumprido o meu objectivo principal : Provocar e motivá-los para a reflexão. O tempo estava a ficar curto e eles acabaram por não colocar questões e ir abandonando o auditório á medida que se iam fazendo as despedidas e agradecimentos finais. 

Quando me preparava para arrumar o meu material, eis que sou abordado por um aluno que me queria falar do seu projecto final e que procura obter algumas dicas de como trazer esse projecto para o universo empresarial. Tinha finalmente conseguido validar a minha presença! Por ali ficamos mais alguns minutos a discutir os contornos do seu projecto e da forma como uma simples troca de ideias entre mim e o aluno tinha trazido ao de cima alguns aspectos importantes que ele até então tinha negligenciado. Ficou ele, e fiquei eu, bastante satisfeitos e motivados para cada um de nós seguir o seu caminho. 

Resta-me agradecer publicamente a oportunidade que me deram para, uma vez mais, poder partilhar algum conhecimento e experiências com um público mais jovem e assim poder de alguma forma contribuir para uma tomada de decisão um pouquinho mais consciente por parte dos alunos para a sua entrada no mercado de trabalho. Muito sucesso para todos vocês, sejam felizes a fazerem aquilo que gostam!

Até breve, 

Helder Teixeira

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