Education and Urban competitiveness in the 5th session of MTT

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 Do Ensino às Wise Cities

No dia em que se celebrava Portugal, Camões e as comunidades portuguesas, reunimo-nos para mais uma sessão das "Morning Think Tanks". Estávamos na 5ª sessão e à semelhança do que habitualmente acontece, convido os participantes a lançarem temas ou situações especifícas em torno do quotidinano pessoal ou profissional de cada um.

Acedendo ao meu repto um dos temas prontamente abordado foi acerca da "importância do ensino superior na nossa vida profissional". O tema apresentava-se amplo e com imensas abordagens possíveis, o que acaba realmente por interessar quando o objectivo é ouvir diferentes opiniões e perspectivas. Aos poucos fomos deslindando o tema central e chegando a algumas conclusões. Foi consensual afirmar que a experiência académica, embora não essencial, é algo marcante e enriquecedor do ponto de vista do crescimento pessoal e que na maioria das vezes o percurso no ensino superior não culmina numa profissão ou em algo que realmente gostamos de fazer ou onde podemos aplicar os nossos talentos. Apuramos também, com base na experiência dos presentes, que existe uma forte probabilidade de não seguir uma profissão alinhada com a àrea e percurso académico escolhidos,  à excepção das àreas científicas que acabam por alguma forma vincular o aluno à profissão dada a exigência e dedicação necessárias e ao grau de conhecimento adquirido.

Numa outra perspectiva, abordamos igualmente a obrigatoriedade da tomada de decisão dos alunos do ensino secundário numa idade em que são mais as incertezas do que as certezas. A importânica dos cursos profissionais e técnicos numa vertente prática e na obtenção da experiência do fazer...como um recurso para percebermos o que gostamos de fazer, ou ainda igualmente importante, o que não gostamos de fazer. 

Quando falamos de Ensino é quase imperativo que falemos do popular "sistema" e inevitavelmente dos professores como mecanismo extensivo do sistema que opera na "frente de batalha". Apesar de algumas opiniões discordantes, percebe-se que existam professores mais ou menos flexíveis na adaptação da sua mensagem e dos conteúdos programáticos em função das características individuais de cada aluno. Aliás, individualizar será praticamente uma tarefa impossível , e o melhor caminho passará (talvez?) por decifrar a turma como um bloco e entender como está dispersa a liderança e a dinâmica do grupo. Não dispondo de uma fórmula mágica para o efeito, os presentes na sessão acordaram que jamais a rigidez, os timmings e a inadequação dos conteúdos programáticos deverão ser um pretexto para excluir ou castigar alunos com comportamentos fora da formatação, cujo objectivo principal passa por ouvir e reproduzir os conteúdos e mensagens passados.  Apesar de parecer um pouco utópico, todos desejaríamos que o principal foco no interior da sala de aula fosse o de promover o talento e o compromisso do grupo com os objectivos propostos independentemente da forma ou modelo como eles são veiculados.

" A importância de ligar o local ao global - GLO.CAL"

Cerca de metade do nosso tempo previsto para a sessão estava cumprido, e tinha na manga um tema que considerava importante colocar ao grupo. Previamente, tinha feito uma pequena análise das temáticas abordadas anteriormente e em grande parte delas havia uma ideia que se tinha vindo a repetir : A importância de ligar o local ao global - GLO.CAL.

Tendo como base esta ideia-chave, reagrupei as ideias do grupo e pedi-lhes atenção para esta viragem no segundo tema. Contextualizei, li-lhes um artigo que tinha selecionado para o efeito para logo de seguida devolver-lhes a palavra.  O artigo tinha como título "Promover a competitividade numa nova revolução urbana" e visava abordar o paradigma da competitividade sustentável e incluvisa como um dos grandes desafios da sociedade actual. Partindo do panorama actual, em que vivemos numa quarta revolução industrial (4.0) e talvez das mais disruptivas de sempre, é-nos possível perceber diariamente o impacto que a mesma tem nas nossa vidas e nas nossas cidades.

Esta 4ª revolução industrial, paralelamente com a crescente migração interna do interior para os centros urbanos, obriga-nos a repensar constantemente o futuro e a planear expostos a condições de incerteza e volatilidade (VUCA). Tal situação, leva-nos ao surgimento de novas economias que culminam num único formato, assente em 4 dimensões : A Economia Criativa ; A Economia Colaborativa ; A Economia Circular e a Co-Criação.

No fundo, a minha escolha neste artigo e neste tema baseou-se nestas 4 dimensões que já tinham sido abordadas em sessões anteriores e que nunca tínhamos analisado em conjunto e do ponto de vista do impacto e das acções que poderão desencadear para o desenvolvimento sustentável de uma cidade/região.

Mais do que uma cidade nova e inteligente, as pessoas querem que a sua cidade seja acima de tudo melhor.

A discussão desenrolou-se de forma entusiasmada com diversidade de opiniões, e foi-nos possível concluir que a economia criativa acaba por ser a grande dinamizadora das outras 3 dimensões. Será da máxima importância o envolvimento e inclusão dos cidadãos como stakeholders activos na definição e implementação de estratégias territoriais passando de smart cities, com particular dependência de subsídios e implementação da tecnlogia disponível para wise cities em que existe um esforço para o aproveitamento dos recursos existentes e da implementação de medidas e políticas que realmente façam sentido para os cidadãos em causa face às suas necessidades e expectativas.

Haveria seguramente muito mais a discutir em torno do tema, mas as 2 horas tinham chegado ao fim e provavelmente voltaremos a esta temática na próxima (e última antes de férias) sessão do mês de Julho.

Por fim, um especial agradecimento aos presentes na sessão que apesar do feriado não quiseram deixar de marcar presença.

Até breve, 

Helder Teixeira

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